Depois de cruzar desertos e se acostumar com expedições cercadas por estrutura e apoio, Alice Morrison resolveu voltar o olhar para um tipo de aventura menos grandiosa no mapa, mas nada menos intensa na prática: caminhar pelo Affric Kintail Way, nas Highlands escocesas. O percurso, com cerca de 70 quilômetros, liga a região de Loch Ness à costa oeste e atravessa alguns dos cenários mais emblemáticos da Escócia.
A proposta da viagem era simples e exigente ao mesmo tempo: seguir por conta própria, carregar a própria mochila e dormir em acampamentos selvagens ao longo de quatro dias. Em vez do calor do deserto, ela encontrou chuva persistente, trilhas encharcadas e longas horas sob vento frio, numa experiência que cobra do corpo, mas recompensa com isolamento, silêncio e uma sensação rara de autonomia.
O Affric Kintail Way é conhecido por combinar trechos de floresta antiga, vales abertos, lagos espelhados e passagens de montanha. A rota passa por Glen Affric, uma das paisagens mais admiradas do país, e segue por caminhos históricos usados por antigos condutores de gado. É um roteiro que mistura natureza e memória, com marcas de ocupação humana muito antigas ao longo do caminho.
Mais do que um relato de superação física, a caminhada de Morrison reforça uma ideia cada vez mais presente no turismo de aventura: nem toda experiência marcante precisa ser distante, cara ou monumental. Às vezes, o impacto está em redescobrir o território de origem com tempo, esforço e atenção suficiente para perceber o valor de uma paisagem que parecia conhecida.
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