A Creditas divulgou nesta terça (4) os números do segundo trimestre de 2026, e o balanço reforça a virada que a fintech de Sergio Furio vem construindo trimestre a trimestre: acelerar o crescimento enquanto reduz as perdas operacionais, com a inteligência artificial assumindo boa parte do trabalho pesado.
Segundo o report, o sinal está no bottom line. O prejuízo operacional ficou praticamente estável em R$ 33,7 milhões, ante R$ 34,9 milhões no primeiro trimestre, e já equivale a cerca de um décimo do pico de R$ 321 milhões registrado no início de 2022, quando a receita era 2,5 vezes menor.
O prejuízo líquido, por sua vez, caiu para R$ 66,9 milhões, ante R$ 75,9 milhões no trimestre anterior. E a Creditas manteve o fluxo de caixa neutro, o que lhe permite bancar a própria expansão sem recorrer a capital externo, segundo aponta a fintech no relatório.
No topo do funil, a originação somou R$ 1,14 bilhão, alta de 34,2% em um ano e de 2,2% sobre o 1T26, o terceiro recorde trimestral consecutivo. O portfólio gerenciado chegou a R$ 8,1 bilhões, avanço de 26,4% no ano, dentro da meta de crescer acima de 25% ao ano mesmo com a Selic em patamar elevado por mais tempo do que o mercado esperava.
A receita acelerou para R$ 722,9 milhões, alta de 30,2% no ano e de 14,2% sobre o 1T26. É o terceiro trimestre seguido de aceleração, puxada pela expansão do portfólio e pelo reajuste do Home Equity pela inflação. O lucro bruto foi a outro recorde, R$ 271,6 milhões (+36% no ano), crescendo acima da receita. A margem bruta, porém, recuou para 37,6%, ante os 40% do 1T26.
Todas as verticais empurraram o recorde, cada uma no seu ritmo. Auto Finance foi a que mais cresceu, com portfólio 51,3% maior no ano, reativando com ajuda de IA a originação em concessionárias antes inativas. Home Equity avançou 31,6% e reforçou a liderança de mercado, enquanto o e-Consignado subiu 23,7%.
“Powered by AI”
As despesas operacionais totalizaram R$ 305,3 milhões, alta de 10,1% no ano (mas abaixo do avanço de 30,2% da receita), e recuaram para 42,2% do faturamento, ante 50% um ano antes e 45,6% no trimestre passado. Segundo a companhia, parte da alta sequencial veio de um atraso pontual no processamento de faturas durante a troca de uma plataforma, um efeito não recorrente.
Por trás desses ganhos está a virada “AI-first”, foco que, nas palavras da companhia, “seguiu gerando produtividade recorde”. A receita por funcionário anualizada bateu novo recorde, a R$ 1,7 milhão, alta de 21% em apenas três meses e 17 vezes o patamar de 2019.
Na cobrança, um agente autônomo já cuida de 100% dos primeiros contatos por chat em atrasos de Auto e, segundo o relatório, “88% das conversas são resolvidas de ponta a ponta sem intervenção humana”.
Nas vendas, o agente de IA já converte mais que os consultores humanos em seus segmentos-alvo. E, em 30 de julho, a fintech fez sua “primeira aprovação de empréstimo totalmente automatizada em Auto Finance, com zero revisão humana”. No desenvolvimento de software, 87% do código incorporado em julho veio de pull requests gerados por IA.
Projetando o 2T26 para o restante do ano, a Creditas estima originação anualizada acima de R$ 4,5 bilhões, portfólio de R$ 8,8 bilhões ao fim de 2026 (crescimento de 24%) e receita anualizada superior a R$ 2,9 bilhões, com o prejuízo operacional em ritmo anual de menos da metade do registrado no ano passado. A meta de crescer acima de 25% ao ano segue de pé, agora com a alavancagem operacional da IA como principal combustível para chegar ao breakeven.
“Cada trimestre nesse caminho acumula o valor da nossa plataforma e amplia nossa base de ativos geradores de renda”, afirma a companhia no relatório, ao projetar uma fase que “combina escala de mercado com rentabilidade”.
O post Com IA como motor, Creditas aumenta originação e reduz perdas no 2T26 apareceu primeiro em Startups.
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