Em um varejo de tecnologia cada vez mais espremido pelo dólar alto e por marcas chinesas brigando centavo a centavo na etiqueta, a Logitech quer crescer na América Latina sem entrar em uma disputa baseada exclusivamente em preço.
No lugar disso, a fabricante suíça de acessórios de informática decidiu fincar pé no valor agregado, apostando no ecossistema completo de software, soluções sem fio, jogos e na força do segmento B2B para continuar crescendo na região.
Quem comanda essa estratégia é Jairo Rozenblit, executivo que criou a operação brasileira do zero há 15 anos e agora assume o comando de toda a América Latina. A ideia é usar a bagagem do Brasil para integrar os mercados vizinhos, fazendo os países trabalharem juntos e acelerar os negócios sem perder de vista as particularidades locais.
“Eu construí a operação brasileira ao longo de 15 anos e, em março deste ano, passei a liderar também o México. Agora, a empresa entendeu que fazia sentido levar essa experiência para uma visão mais ampla da América Latina. É uma evolução natural de uma operação que já amadureceu e de uma região que ganhou relevância dentro da estratégia de crescimento da companhia”, explica o executivo, em entrevista ao Startups.
Ele destaca que a companhia enxerga a região madura em relação ao consumo de tecnologia. “O consumidor está mais informado, mais conectado e tem expectativas maiores em relação a experiência, produtividade, entretenimento e qualidade”, observa.
A estratégia, porém, não significa transformar a América Latina em um bloco homogêneo. Segundo Jairo, a Logitech quer criar uma base comum de aprendizados e boas práticas, mas mantendo a autonomia necessária para responder às diferenças de consumo, canais e logística em cada praça.
É nessa combinação que a companhia enxerga espaço para crescer, dividindo suas fichas entre produtividade, videocolaboração para empresas e o mercado gamer. “O gaming é uma frente muito importante. O Brasil é o maior mercado de games da América Latina e tem uma comunidade gamer muito fortalecida, além de uma indústria local cada vez mais estruturada”, ressaltou.
O avanço na região, contudo, precisa navegar por gargalos conhecidos de quem opera com produtos importados. Da volatilidade cambial e barreiras alfandegárias à complexidade tributária e poder de compra local, o executivo pondera que a saída não é enxergar esses fatores como obstáculos.
“O desafio é entender essas particularidades e construir uma operação que consiga responder a elas sem perder a inovação, qualidade, design e experiência do consumidor da Logitech“, destacou.
A aposta da marca para se diferenciar da concorrência chinesa está na construção de uma experiência completa de pós-compra, unindo a integração de softwares, suporte contínuo, relacionamento com parceiros e compromissos com sustentabilidade.
Desafio na cadeia de suprimentos
Outro desafio que segue no radar da companhia (e também de quase todas as outras empresas do segmento de tecnologia) é a atual crise de componentes, que continua exigindo uma gestão rigorosa de suprimentos. A escassez de insumos, no entanto, parece não ter esfriado o apetite dos consumidores por periféricos.
“O mercado está passando, sim, por um ambiente mais dinâmico na cadeia de componentes. Mas isso não significa que a demanda tenha desaparecido”, enfatizou Jairo.
Segundo o balanço financeiro do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, divulgado pela Logitech ao mercado em julho, a empresa registrou receita global de US$ 1,23 bilhão, um avanço de 7% na comparação anual, impulsionado principalmente pelo segmento de games, que saltou 12%, e pela categoria de dispositivos de pontaria (como mouses), que cresceu 16%.
A companhia tem ações listadas na SIX Swiss Exchange, a bolsa suíça, e na Nasdaq, nos Estados Unidos.
O post Como a Logitech quer expandir na América Latina além da guerra do varejo apareceu primeiro em Startups.
Acompanhe a Recifes.net
Gostou desta leitura? Siga a Recifes nas redes e receba as proximas pautas no WhatsApp.