A Associação de Futebol da Inglaterra deve enviar uma carta à Fifa retirando o apoio a Gianni Infantino, em um gesto que repete o movimento já adotado pelo futebol galês. A decisão ocorre depois da forte reação ao plano, posteriormente abandonado, de vender fatias de competições da entidade a investidores privados.
A reação das federações europeias aprofundou o desgaste político do presidente da Fifa, que vinha tentando sustentar sua autoridade em meio às críticas sobre transparência, governança e forma de conduzir discussões estratégicas. Para os opositores, a tentativa de abrir espaço para capital privado em torneios da casa soou como um passo longe demais na comercialização do futebol internacional.
No campo prático, a retirada de apoio de ingleses e galeses enfraquece um dos pilares que Infantino acumulou ao longo dos últimos anos: o respaldo formal de federações nacionais. Embora o dirigente siga com apoio relevante em outras regiões do mundo, o recuo europeu aumenta o custo político de sua permanência e sinaliza que a margem para consenso ficou menor.
O episódio também expõe um conflito maior dentro da Fifa sobre o rumo dos negócios do futebol. De um lado, há pressão por novas receitas e projetos mais ambiciosos; de outro, cresce a resistência a decisões vistas como pouco debatidas e excessivamente centralizadas. A carta da FA inglesa, nesse contexto, não é apenas um protesto isolado, mas mais um capítulo da disputa pelo controle da agenda da entidade máxima do futebol.
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