Um estudo com adultos canadenses com transtorno do espectro alcoólico fetal (TEAF) chama atenção para um problema pouco discutido: a dificuldade de acessar moradia adequada não está ligada apenas à escassez de casas, mas também a uma compreensão insuficiente da deficiência por parte dos serviços e das instituições.
Segundo os pesquisadores, essa combinação de estigma, respostas inadequadas e falta de suporte faz com que muitas pessoas com TEAF acumulem obstáculos para manter um teto estável. Em vez de enxergar essas necessidades como parte de um cuidado específico, o sistema frequentemente trata a situação como fracasso individual, o que agrava a exclusão.
A investigação também identificou trajetórias que funcionam melhor quando há apoio consistente, adaptações reais e oferta de escolhas. Entre os elementos que favorecem resultados mais positivos estão vínculos de confiança, acompanhamento contínuo e modelos de moradia que consideram as particularidades cognitivas e sociais desse grupo.
O estudo reforça uma ideia já defendida pela Organização das Nações Unidas e pelo governo canadense: pessoas com deficiência têm direito não apenas a um lugar para morar, mas a opções de moradia e suporte compatíveis com suas necessidades. Para quem vive com TEAF, isso significa políticas públicas que abandonem soluções genéricas e priorizem permanência, autonomia e dignidade.
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