Oito carteiras de Bitcoin inativas há mais de uma década foram movimentadas em 4 de julho de 2025, somando cerca de 80.000 BTC. Com o Bitcoin cotado a US$ 119.000, o montante ultrapassou US$ 9,5 bilhões, reacendendo o debate sobre a segurança de endereços criados nos primeiros anos da rede.
O que os dados on-chain revelam
Segundo reportagem publicada no Livecoins, os endereços, criados em 2011, foram ativados em sequência próxima, apresentaram um padrão de transação compatível com automação e tiveram destino comum. Em cada movimentação, mensagens no campo OP_RETURN incluíram os termos Cracked, Key e July 4th 2025 e foram enviadas não apenas aos endereços movimentados, mas também a milhares de outros na rede.
Não há comprovação de que o caso tenha sido um ataque. Ainda assim, a ação coordenada, a exposição deliberada e o padrão automatizado levantam essa possibilidade. A hipótese é que alguém tenha obtido controle das chaves privadas ao explorar vulnerabilidades na geração original dessas chaves.
Por que carteiras da era 2009-2012 podem ser mais vulneráveis
Grande parte dos endereços antigos segue os formatos P2PK e P2PKH, comuns entre 2009 e 2012. Em endereços P2PK, a chave pública é revelada integralmente no momento da transação. Isso os expõe a um cenário futuro em que algoritmos de assinatura como o ECDSA sejam comprometidos, seja por avanços em computação quântica ou por outras técnicas.
- ENTROPIA FRÁGIL: softwares do início dos anos 2010 frequentemente usavam fontes previsíveis, como relógio de sistema, palavras comuns e geradores pseudoaleatórios inseguros. Isso podia resultar em seeds vulneráveis a ataques de força bruta, potencializados por técnicas de inteligência artificial.
- REUTILIZAÇÃO DE ENDEREÇOS: uma prática recorrente na época podia comprometer a privacidade e a segurança da carteira. O desconhecimento de boas práticas e a ausência de ferramentas modernas contribuíram para essa conduta, antes da ampla difusão de padrões como o BIP39.
- PADRÕES MAIS RECENTES: o SegWit, introduzido em 2017, e o Taproot, ativado em 2021, trouxeram melhorias em eficiência, privacidade e resistência a erros operacionais. O Taproot adota assinaturas Schnorr, que permitem agregação de chaves e ocultação de estruturas internas em transações mais complexas.
Contexto e implicação para o investidor
O episódio não indica falha no protocolo do Bitcoin, mas chama atenção para os riscos associados a chaves antigas, geradas com práticas frágeis e mantidas por anos sem revisão. A segurança da rede permanece sólida, enquanto a segurança de cada carteira depende de como suas chaves foram criadas, armazenadas e geridas ao longo do tempo.
A movimentação de moedas entre endereços, por si só, não demonstra que elas foram vendidas. No caso das carteiras ativadas em julho de 2025, as transações levantaram questionamentos sobre a origem dos fundos e sobre as condições de segurança das chaves usadas em endereços antigos.
A recomendação técnica citada pelos autores é migrar carteiras antigas para padrões modernos, com novas chaves geradas em ambientes controlados e seguros. Medidas como multisig e time-lock também podem ser implementadas de acordo com o perfil de risco.
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