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Ondas de calor afetam mais mulheres, e a explicação vai além do corpo

Redação Recifes
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Ondas de calor afetam mais mulheres, e a explicação vai além do corpo

As ondas de calor que vêm se tornando mais intensas em diferentes regiões do mundo acenderam um alerta importante: mulheres aparecem com maior frequência entre as vítimas das altas temperaturas. Um levantamento que reuniu dados de 35 países no verão extremo de 2022 encontrou um índice de mortes relacionadas ao calor 56% maior entre elas do que entre os homens.

À primeira vista, a diferença pode parecer apenas biológica, mas a leitura dos pesquisadores é mais ampla. O risco sobe quando a exposição ao calor se soma a desigualdades acumuladas ao longo da vida, como maior probabilidade de viver sozinha, renda menor, acesso mais difícil a ambientes climatizados e sobrecarga de cuidados dentro de casa.

Também pesa o fato de que muitas mulheres chegam à velhice com condições de saúde que exigem atenção contínua, o que pode aumentar a vulnerabilidade em dias de temperaturas extremas. Em cenários assim, hidratação insuficiente, demora para buscar atendimento e dificuldade para identificar sinais de desidratação ou exaustão térmica agravam o quadro.

O dado ajuda a mudar o foco da discussão: enfrentar o calor extremo não depende só de entender como o corpo reage ao clima, mas de reconhecer quem está mais exposto ao risco. Em uma população que envelhece rapidamente, políticas de proteção, informação clara e redes de apoio serão cada vez mais importantes para evitar que o termômetro se transforme em ameaça à vida.

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Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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