Quando se fala em startups suecas no topo do hype da IA, a Lovable costuma levar os holofotes. Contudo, ela não está sozinha: a Legora, legaltech sediada em Estocolmo, virou um dos nomes mais valorizados do momento, e cresce em ritmo acelerado.
Poucos meses após fechar sua Série D, a empresa já está em conversas para levantar uma nova rodada a um valuation de US$ 10 bilhões ou mais, segundo reportou o Financial Times. O valor quase dobraria os US$ 5,6 bilhões que ela alcançou em março, e o negócio pode combinar aporte novo e transações secundárias.
A Legora captou US$ 80 milhões a um valuation de US$ 675 milhões em meados de 2025, saltou para US$ 1,8 bilhão em outubro e chegou aos US$ 5,6 bilhões com a Série D de US$ 600 milhões, em março de 2026. Na ocasião, anunciou a abertura de escritórios em Madri, Milão e Paris no terceiro trimestre para dar conta da demanda.
A guinada da legaltech também se sustenta nos resultados. Atualmente, a companhia está em mais de 50 mercados, atendendo mais de 1.000 clientes corporativos, incluindo escritórios de grande porte como Cleary Gottlieb, White & Case, Linklaters, Deloitte e Dentons. Só nos últimos 12 meses, saltou de 40 para 400 funcionários.
Trajetória
A plataforma da Legora utiliza IA e dados em tempo real para permitir que vários advogados trabalhem no mesmo caso ao mesmo tempo, sem ficar trocando documentos de um lado para o outro. Um escritório consegue, por exemplo, revisar centenas de arquivos em uma due diligence multijurisdicional, sinalizar riscos automaticamente e montar um resumo estruturado em horas, não em dias.
Curiosamente, nenhum dos três fundadores — Max Junestrand, Sigge Labor e August Erséus — tinha atuado com Direito antes de criar a empresa em 2023, originalmente chamada Leya. Junestrand estudou ciência da computação no KTH e passou por McKinsey e por duas startups do Y Combinator. A ideia nasceu depois de entrevistarem mais de 100 profissionais da área para mapear onde a IA poderia desafogar o trabalho jurídico.
A principal rival da Legora é a Harvey, legaltech de São Francisco que também vem elevando o seu valuation. Segundo fontes de mercado, ela está em conversas para captar a US$ 15,5 bilhões, ante US$ 11 bilhões em março, com receita anualizada acima de US$ 350 milhões.
No Brasil, o maior nome desse mercado no momento é a Enter, que fez uma Série B de R$ 500 milhões em maio e se tornou o primeiro unicórnio de IA da América Latina — e o primeiro unicórnio brasileiro desde 2024.
O tamanho do mercado endereçável ajuda a explicar o aquecimento das legaltechs e o interesse dos investidores. De acordo com a consultoria Fortune Business Insights, o mercado global de software jurídico com IA deve valer US$ 5,21 bilhões em 2026 e chegar a US$ 40,94 bilhões até 2034, um crescimento anual de 29,4%.
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